E-book "A psicologia como a mais útil das ciências"
Quando é referida uma utilidade à psicologia, estamos aqui a buscar desvendar um lugar privilegiado ocupado pelos conhecimentos e ética próprios do espaço de saberes sobre o psicológico. Falamos em privilégio porque o conhecimento sobre a psique sempre deteve uma aura diferenciada, como se quem o detivesse estivesse em posse de todo o conhecimento sobre o humano e pudesse desvendar uma pessoa somente ao observá-la. Esta noção também serve ao priorado que a psicologia exerce em denominar um espaço fundamental de conhecimentos para o avanço da modernidade e suas concepções regulatórias e normativas. Tomar o indivíduo e sua subjetividade como objeto próprio de estudos confere à psicologia um status de ciência indispensável para o sucesso da implementação dos objetivos modernistas revolução após revolução. Desde as relações fundamentais entre os indivíduos até a macroeconomia em expansão crescente, a modernidade cria uma fantasia sobre uma evolução progressiva e imparável. Este movimento depende de um ponto de partida que precisa estar bem definido: o que é o indivíduo, como se constitui, se desenvolve, se desvia, enlouquece, adoece, enfim, o máximo possível para que se possa avançar em outros níveis, desde a normatização do Estado para regular a sociedade até o controle das condutas na vida cotidiana.
Aqui expressaremos de forma simples e direta o conhecimento de que a psicologia muito serviu para a organização da vida do modo como a conhecemos, e isto não é somente uma questão de utilidade, mas o que define o próprio status da ciência psicológica ao serviço do Estado moderno e do modelo civilizacional projetado na modernidade.

