
SOU ONDE NÃO PENSO
- necs2016

- 20 de jul. de 2024
- 3 min de leitura
Partimos aqui do pressuposto realizado pelo físico David Bohm do pensamento ser um sistema corporal. Com isso, transferimos a importância de existir não somente para aquilo que percebo a partir do que penso, mas de uma visão ética radical de que a realidade é uma totalidade que tem ordenamento por implicação. Ora, mas o que isso realmente quer dizer?
Primeiramente quer dizer que não somos o nosso corpo. Existimos nele, somos nele um só, mas o princípio de nossa existência não é o organismo biológico que instrumentalizamos e nos possibilita vivenciar a realidade material. Em sua obra A totalidade e a ordem implicada o renomado físico David Bohm nos indica conhecimentos que são transcendentes por alinhá-los de forma coerente com o que a realidade realmente é, não apenas com as formas com o que ela se apresenta na matéria. A ordem explícita da matéria nos apresenta e é captada por via da propriocepção corporal que é necessariamente apresentada pelo pensamento e toda a estrutura cognitiva cerebral, como dispositivo eletroquímico que nos possibilita ver (não apenas enxergar) e assim, explicar a realidade aparente da matéria. A descoberta do interior do átomo e a criação da física quântica nos revela que toda essa ordem aparente e explícita é sustentada por uma ordem implícita envolvida e desdobrada na matéria que se estende a um nível ínfimo da realidade, onde tudo é necessariamente energia, por isso somente passível de quantização. Nessa ordem da realidade não se aplica as noções e leis físicas clássicas, sendo um âmbito em que a definição acontece por ordem probabilística. É nesse ordenamento que somente se pode ser de forma implicada, atuando sobre as possibilidades para conformar as particularidades, sendo o movimento da realidade as particularizações contínuas conformadas em continuidade, ou seja, espaço sendo formado aparentemente como movimento do tempo.
É nesse nível envolvido da realidade que de lá somos observadores de nós mesmos, totalmente integralizados à realidade e à Totalidade, desdobrando possibilidades por sermos singularidades evoluídas em consciência. O corpo é senciente dessa condição por ser capaz apenas de se perceber, por via da propriocepção proporcionada pelo pensamento a partir da evolução e sofisticação de nossa estrutura nervosa e encefálica, principalmente a que chamamos de cérebro. Podemos intuir, até mesmo sentir que somos além do que o pensamento nos indica, mas como somos condicionados a acreditar antes de se implicar, ficamos dispostos ao circuito condicionado do pensamento em seus reflexos sistemáticos. A questão é que essa ordem de implicação é uma condição por coerência (quântica), e seu pensamento é necessariamente ordenado por ela, portanto ser ignorante de si mesmo, não o libera das consequências de poder livremente arbitrar as possibilidades que irão conformar (materializar) o seu movimento. Temos que nos buscar porque temos que passar a nos ver onde nosso pensamento não pode nos levar, mas apenas indicar. Por isso é tão árduo reordená-lo para que alcance níveis mais altos de complexidade de conhecimento, porque ele nada sabe. Sua inteligência é tão singular quanto seu próprio DNA, pois sua estrutura orgânica é singularizada de acordo com o grau de implicação que você se engaja no seu corpo. É uma radicalidade tão exponencial de responsabilidade, que nos atentamos para isso somente quando estamos em um estado intolerável de sofrimento, sobrepujados por “poluições” eletroquímicas em processo condicionado e reflexo, como coerentemente coloca David Bohm.
O que isso pode constituir de ajuda na compreensão de nossa real condição? Até onde podemos perceber para além do que pensamos, para assim podermos efetivamente nos vermos em nossa condição implicada, e reordenar o que pensamos para um movimento mais coerente com nossa singularidade? Conhecer-se é alinhar-se com o que se é no mesmo movimento que o universo é conformado. Não somos apenas conhecedores do que já existe, somos co-criadores de uma realidade que é conformada a cada microssegundo que seu pensamento (Ordem Explícita – atômica) lhe possibilita percebê-la de sua Singularidade (Ordem Implícita – quântica). De “onde” você o percebe, é que somente você pode se buscar. Somos Um feito da Totalidade que sustenta a própria realidade, pois estamos implicados na criação do que percebemos no corpo. É de sua singularidade consciente que sua mente se estende, é como unicidade que se ama, confia e se pode desenvolver maior compreensão. A realidade que vemos e vivenciamos é inerente à responsabilidade que nos atribuímos na sua criação. Desvelar isso é a nossa condição para evoluirmos como seres de consciência particularizada em Singularidade. Tudo que pode ser explicado, somente será desvendado, se pudermos ter a devida implicação com o que criamos. Essa é a ética que é coerente com o movimento universal, pois a totalidade permanecerá plena, nosso conhecimento e a nossa existência, talvez. Só depende de nós aonde não pensamos, mas plenamente já somos.







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